1) JUSTIFICATIVA
Não se pode classificar uma vegetação apenas com base em sua "fisionomia" ou formação vegetal característica. A flora (composição florística) precisa também ser considerada, sempre que haja dados ou se possa complementar interpretações com este tipo de informação. Padrões de textura de contrastes de imagens de satélite nas escalas de trabalho disponíveis atualmente no Brasil podem incluir "floras (ou flórulas)" diferentes, por causa das muitas floras da "caatinga" (Andrade-Lima 1981), da "Amazônia" (TNC 1992) e do "cerrado" (Castro 1994), por exemplo. A "flora areal" de cada "domínio florístico" deve ter "assinaturas digitais" diferentes. O problema pode estar na escala (de trabalho) e/ou na resolução das imagens, provavelmente.
2) CONSIDERAÇÕES FINAIS
O fato de concluir que a floresta estacional semidecidual de transição da área de chapada da Serra Vermelha não ser "Mata Atlântica", isto é, não está incluída no bioma Mata Atlântica, não a dispensa absolutamente de ser preservada/conservada. Sem impedir as demandas de desenvolvimento socioeconômico durável (sustentável) ao nível local e regional, parte de sua área deverá ser incluída no sistema atual de unidades de conservação do Estado do Piauí, até por necessidade de otimização em termos de representatividade ecológica, ou com a criação de uma nova unidade de conservação, de "proteção integral" (parque nacional, estação ecológica, por exemplo), ou de "uso sustentável" (reserva particular do patrimônio natural, ou área de relevante interesse ecológico, por exemplo), ou ainda com a ampliação de alguma unidade de conservação já existente na área ou em suas proximidades.
A região do Piauí onde se inclui a Serra Vermelha está inserida nas áreas definidas pelo Projeto de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira (maio/2007) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) (Figura 22). Além do mais, o caráter de "insubstituibilidade" da sua flora/vegetação é indiscutivelmente imperativo.
Por causa de aspectos próprios da amostragem, a partir da suficiência de representatividade florística obtida (Figura 20), do universo amostral, por conta do tipo de fitocenose [comunidade vegetal] estudada, dos aspectos relacionados ao padrão em mosaico da vegetação ecotonal [vegetação de transição] do Estado do Piauí, do caráter de flora "areal" [característico de cada área], e das diversidades "a" (alfa) e "b" (beta) [diversidades biológicas local e entre‑amostras] envolvidas, os resultados deste trabalho não podem ser extrapolados para outras áreas, senão para as que se incluem na área de chapada da Serra Vermelha.
Com relação aos argumentos da Coordenadora Eugênia Medeiros (ICMBio, Parnaíba), vale informar que concordamos.
Um grande abraço,
Prof. Alberto Jorge